Olá, sou o Bruno e sou um eterno perfeccionista.

Quando me pediram para escrever este artigo a minha primeira reação foi entrar em pânico. Não gosto de falar sobre mim, porque nunca sei muito bem o que dizer, e aquilo que eventualmente consegue sair das minhas entranhas parece sempre pouco, incompleto e muito imperfeito. Mas está na altura de começar a “deitar coisas cá para fora”, expor-me, não recear o que as outras pessoas vão pensar de mim e ser o mais perfeito possível, no meio de toda esta imperfeição.

Até porque não existe perfeição, existe o caminho para a perfeição. E esse caminho faz-se praticando. Essa foi uma das maiores aprendizagens que o Pilates me trouxe. No Pilates queremos atingir a perfeição (de movimentos, respiração, concentração, estado de espirito), mas isso implica muito trabalho e dedicação, investimento físico, emocional, psicológico, mas acima de tudo de tempo.

Sim, porque estas coisas demoram, tal como tudo o que realmente interessa na vida não acontece de um dia para o outro, não nos cai no colo. Por muito talento que possamos ter para uma determinada actividade, isso vale de pouco sem trabalho, perseverança, falhar (muitas vezes) e voltar a tentar até conseguir.

Uma das coisas fantásticos no Pilates é a capacidade de evolução. Pilates não é um sistema estanque, pelo contrário, permite desenvolver o corpo e a mente de diversas formas.

Quando comecei a praticar Pilates rapidamente percebi o potencial que o método tinha. Senti as mudanças no meu corpo, ficava cada vez mais forte e ágil, era cada vez mais fácil concentrar-me e manter o foco, controlava mais a respiração e comecei a usar a respiração a meu favor.
Quanto mais praticava melhor me sentia e mais evoluía.


Após sentir todas essas mudanças em mim foi mais fácil ensinar os meus alunos a passarem pelo mesmo processo, obterem os mesmos resultados, sentirem-se bem, sem dores ou desconfortos.
Alguns dos melhores elogios que já recebi foram alunos a dizerem-me que nunca se tinham sentido tão bem, que deram por si sem dores, a realizar tarefas que há muito tempo não conseguiam fazer, que conseguiam trabalhar mais e durante mais tempo sem desconforto ou limitações.

É preciso mudar o mindset, deixar de tentar fazer ou dizer que é preciso fazer e passar à ação, dizer que vou fazer, estou empenhado, estou focado, vou concretizar. É agora! Tal como no Pilates, primeiro tenho que ganhar consciência de mim, das minhas limitações e do meu potencial. Depois tenho que por mãos à obra, esforçar-me e persistir para que as mudanças aconteçam. Mas assim que as recompensas começam a surgir tudo faz sentido e apercebemo-nos que o esforço vale a pena.

Após 10 anos de relação com o Pilates, e sinto que tem sido uma relação como qualquer outra na minha vida, uma relação de aprendizagens constantes, de evolução ininterrupta, de fases boas e de fases menos boas, de alturas em que tudo parece fazer sentido e de outras em que só me apetece mandar o Pilates para o espaço e recomeçar de novo, olho para trás e vejo o quanto o Pilates mudou a minha vida.
E se mudou a minha vida também pode mudar a vida de qualquer pessoa.

Seja como aluno ou professor, o Pilates, treinado de forma regular e sistemática, tem a capacidade de provocar mudanças drásticas em quem o pratica.

Estou pronto para abraçar os próximos 10 anos de mudanças!