Parte I

 

A Medicina é tão antiga quanto a vida

 

Desde sempre, o Homem tentou curar-se, salvar-se e prolongar a sua existência. Através da experiência e do erro, da inspiração, de crenças ou de pura sorte, o conhecimento médico foi-se desenvolvendo a par com a evolução da própria Humanidade.

Cada sociedade humana começou por construir um sistema rudimentar de medicina, não só com base na prática material, mas influenciado sobretudo por magia, feitiços e rituais.

A progressão deste estágio primitivo para o sistema regular da medicina actual não se processou da mesma forma nos diversos locais deste planeta. O aperfeiçoamento de um sistema médico depende de vários fatores – a sua forma e conteúdo são definidos pela civilização e pelo ambiente em que ele nasce.

 

Desenvolvimento precoce de Ayurveda como um sistema completo de medicina

 

A Ayurveda é o sistema de medicina que surgiu e se desenvolveu no sul asiático, no Paquistão, e sobreviveu como uma entidade distinta desde a remota antiguidade até aos dias de hoje.

Apesar dos resultados espantosos que se obtêm actualmente com a medicina moderna, principalmente através dos avanços da Física, Química e Ciências Naturais, existem ainda muitas áreas de doenças cujos tratamentos e cura continuam a escapar ao âmbito terapêutico. Um estudo mais aprofundado deste sistema médico tão antigo quanto a medicina ayurvédica poderia tornar-se numa útil contribuição para o alívio de várias maleitas e do sofrimento humano.

Todas as sociedades primitivas principiaram com a sua panóplia de mezinhas e remédios para as doenças comuns, evoluindo através de métodos de tentativa e erro, acidente ou inspiração. Tais remédios eram tendencialmente empíricos e não possuíam qualquer base científica estudada ou lógica de entendimento, nem sobre a doença, nem mesmo sobre os próprios componentes/ingredientes dos remédios em si. Usando as palavras de Molière, dramaturgo francês do séc. XVII, os médicos eram pessoas “que prescrevem medicamentos dos quais sabem pouco, em corpos dos quais sabem ainda menos”.

 

 

O sistema indiano de medicina Ayurveda evoluiu como um sistema com uma base racional e lógica. Os críticos afirmam, contudo, que os conceitos básicos da Ayurveda não têm sido revistos ao longo dos tempos, à luz das alterações das nossas sociedades e ambientes em que temos evoluído e que os métodos de tratamento pouco ou nada se alteraram também, e que também não houve praticamente nenhum acrescento à literatura ayurvédica desde há muito tempo.

Há que admitir que a partir do séc. VIII a.C. não foi escrito nenhum livro de mérito excepcional e a literatura a partir daí até ao século XVI d.C. consistia principalmente em comentários sobre os textos originais. O último dos livros originais foi o Bhavaprakasa, que tem cerca de 500 anos de idade.

No entanto, os fundamentos em que se baseia o sistema ayurvédico de medicina são essencialmente verdadeiros para todos os momentos e não mudam com a passagem das eras. Esses fundamentos são baseados nos factores humanos e nas causas intrínsecas, não extrínsecas. A civilização pode mudar, podem mudar hábitos humanos, o ambiente pode mudar, mas não muda a Humanidade, esta permanece a mesma. Alterações no ambiente, novos modos de vida, novas vocações, tudo isso pode contribuir para determinadas modificações de uma doença ou o aparecimento de novas doenças. Mas se o ser humano é parecido com o seu antepassado, as reacções à doença, sinais e sintomas, são os mesmos que no seu antepassado. Os métodos adoptados para curar a doença podem diferir na sua forma, mas não na sua abordagem essencial.

(continua)

 

Texto do terapeuta Carlos Silva
Especialista em Massagem Ayurvédica

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