Parte I

Se era mesmo necessário? Sim.

 

Yoga é património imaterial da humanidade (UNESCO) e foi desenvolvido e experimentado, aperfeiçoado e transmitido sem reservas, por um sem número de seres humanos ao longo dos tempos (não se sabe bem quanto, mas sabemos que o primeiro registo, representação de Shiva – Deus da destruição, a praticar Yoga, aconteceu entre 3000 e 1900 a.C. no vale do rio Hindu, agora Paquistão).

Hoje em dia, é uma prática utilizada por milhões de pessoas em busca de saúde, bem-estar, equilíbrio, e de uma solução mais sustentável para o constante stress e ansiedade crescentes.

Stress é uma resposta de sobrevivência do organismo perante o contexto de vida e o ambiente.

 

 

Se tivermos em linha de conta o funcionamento do nosso corpo e de como ele interfere com a nossa vida emocional e mental, conseguimos perceber rápida e facilmente a importância de nos movermos, controlando a respiração e o foco. No nosso cérebro, possuímos um mecanismo de proteção, aprendizagem e adaptação ao ambiente, ao contexto, que se chama amígdala. A amígdala é a  maior responsável pela resposta de stress do nosso sistema nervoso mais primitivo. É uma herança muito antiga, dos primeiros mamíferos. Ela é responsável pela regulação emocional e visceral (positiva ou negativa, mas isso não interessa para já), imprescindíveis à memória e à aprendizagem. Imaginem o que seria de nós se tivéssemos um encontro com um leão e o nosso sistema nervoso não nos colocasse em fuga ou desse qualquer outra resposta com solução eficaz à sobrevivência? Estávamos tramados. Por isso, o medo e as respostas físicas, emocionais e mentais são preciosas à sobrevivência da espécie e ao seu desenvolvimento.

O que nos está a “matar” aos poucos é a nossa incapacidade de tomada de consciência sobre o que está realmente a acontecer, o que isso nos faz sentir e o que fazer com ambos. Yoga é uma ferramenta de autoconsciência e controlo, encaixa que nem uma luva. Por isso é que a UNESCO não foi de modas, se esta prática não se pode perder, então tem que se proteger e investir para que prolifere.
Quem lhe pode explicar bem o processo, é o seu corpo. Faça Yoga pelo menos durante 3 meses (é o tempo médio de resposta adaptativa do sistema nervosos) e comece a sentir o seu organismo a dar-lhe soluções e respostas sem pedir nada – invista nele e ele devolve (= mostra-se recíproco?).

Votos de um Bom dia Internacional do Yoga e bom verão – solstício de verão – porque a vida não é sempre “cinzenta” de inverno, também é “dourada” de verão.

 

(continua)

 

Texto da autoria do professor de Yoga

Pedro Mendes

 

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