Assustador o cenário mundial hoje. Não sei se é o mundo que está diferente ou se sou eu. Espero que seja eu. Tenho mais idade, ganhei maturidade e afinei a autoconsciência. 

Por outro lado, se o mundo está igual, o que correu mal lá atrás? Como chegámos a este cenário sem nos apercebermos? Onde é que esteve e está a autoconsciência?

Que liberdade temos?

A nossa liberdade está diretamente dependente do sistema político, que produz e aplica leis para reger tudo o que é a nossa vida, desde o mais básico até ao mais complexo e abstrato. Mas, somos nós que elegemos estes elementos pensadores e criadores de regras. Se por um lado nos protegem, por outro nos obrigam. Se por um lado nos alimentam, por outro nos manipulam. Se por um lado nos facilitam, por outro nos transformam.

Dou um exemplo concreto. Quando estamos confortáveis com um sistema político europeu que defende as questões ambientais e que ao mesmo tempo paga à Indonésia para ser a nossa lixeira (Bantar Gebang – uma das maiores lixeiras a céu aberto), alguma coisa está muito errada. 

Hoje as questões ambientais estão ao rubro. 

Tudo isto é uma expressão direta de como as nossas ações no passado se estão a refletir hoje e num futuro bastante próximo. A geração dos meus pais, a minha e as que se seguiram contribuíram ativamente para o consumismo e esgotamento dos recursos do planeta. 

Quando o ser humano vota em ideologias políticas que retiram liberdade e condições sociais e humanas em prol de benefícios capitais momentâneos, esperar que o futuro seja melhor pode ser bastante utópico. 

Yoga é uma prática que tem como princípios base o “agora” e a “clareza da mente” com vista a ação. Precisamente porque uma ação hoje afeta tudo para a frente e a cada instante.

A expressão “um dia de cada vez” ajuda muito a manter esta clareza. Limpa o caminho, cria condições para a tomada de decisão a cada instante das nossas vidas. O que posso fazer já é não deixar para amanhã ou para daqui a 10 anos. 

Nas relações humanas também é simples de perceber. Quem já perdeu alguém amado, mais facilmente percebe a importância de não arrastar situações ou decisões que podem ser resolvidas no “agora”, porque amanhã pode não ser possível. É duro. Muito duro, mas real.

Clareza para enfrentar o futuro.

E olhando para o planeta ou para a nossa liberdade, manter a mente limpa para decidir hoje para uma situação futura melhor, já deixou de ser uma frase cliché. O planeta pode mesmo deixar de ser habitável para os seres humanos muito em breve.

A nossa liberdade pode desaparecer, se não formos cumprir o nosso dever cívico – votar. E votar em propostas políticas e não em palavras utilizadas em momento de venda (campanha) ou pela opinião de alguém. 

Yoga, aqui e agora. As minhas ações refletem-se no presente, mas principalmente no futuro.

Texto da autoria do professor de Yoga

Pedro Mendes