Ano Novo, vida exatamente na mesma? Hábitos iguais? Padrões de comportamento que não se alteram?
Quantas mudanças está a agendar para o início de 2020?

 

Eu? Nenhumas.

O que posso estar a fazer, então?

A preparar uma pausa para pensar, planear e agendar as rotinas que me levam às mudanças que quero que ocorram.

 

Mudanças são sempre difíceis de concretizar e mais ainda de se manter.

Uma mudança precisa de uma revolução para sobreviver. Uma revolução interna do paradigma.

São necessários entre 90 a 180 dias para que uma rotina integre o nosso sistema nervoso e permaneça sem grande esforço. Por isso, prefiro chamar revolução em vez de resolução de ano novo. É necessário assumir compromissos de médio prazo para que se tornem de longo prazo.

Uma mudança não é muito mais do que o resultado da acumulação das pequenas ações que faço na minha direção. A repetição destas ações deve ser regular e com a consistência necessária para me levar a algum lugar diferente. Exemplo: Se faço yoga diariamente sou yogui, se faço uma vez por mês então não sou.

Este lugar diferente, resultante da mudança, pode não ser o que tinha em mente previamente, porém esforço-me para aproveitar. E usufruo porque, na verdade, nada me garante que, na prática, o que tinha em mente como resultado seria uma coisa boa para mim. A viagem que iniciamos para estes locais diferentes que resultam da mudança deve acontecer com a nossa mente aberta. A melhor maneira de o fazermos é deixar para trás o controlo e o perfeccionismo e deixar-se surpreender!

 

mudanças

 

Se pensarmos no processo de Yoga, visto de fora, pode parecer apenas alguém a repetir posições com respiração forte e um olhar fixo.

Mas se olharmos mais a fundo, observamos que se trata de uma viagem interna de autoconhecimento e de autoconsciência.

A repetição e a rotina são a base que permitirá ao sistema nervoso organizar e priorizar informação, endógena e exógena, e guardá-la para no futuro a utilizar.

Este processo acontece com tudo o que fazemos.

 

Treino a minha capacidade de autoconsciência na aula de yoga, através da:

  • Percepcionar a velocidade e intensidade da respiração,
  • Compreender o nível de mobilidade articular,
  • Capacitar o nível de tónus e inflamação muscular a cada postura,
  • Ajuizar se o foco está fácil de manter,
  • Filtrar o meu estado emocional a cada instante.

 

Esta capacidade de me avaliar abre caminho para uma liberdade de escolhas constantes que vão estar mais próximas das respostas adequadas aos contextos. Trata-se da perícia para escolher o que queremos fazer em relação a cada situação.

A nossa liberdade é um batido de autoconsciência, escolha e ação. Também está temperado com esperança no que daí resultará. Quanto melhor conhecermos os ingredientes e a receita, maior a probabilidade de resultar num saboroso batido.

O processo ou a prática de Yoga pode ser das maiores revoluções da vida de um ser humano. Toda a descoberta e autoconsciência das nossas incapacidades, mas também capacidades, obriga a olhar o mundo a partir de dentro.

 

Qual é a importância de ver o mundo desta forma?

Não só consegue fazer escolhas por si, mas também o nível de responsabilidade dessas escolhas será mais adequado. Permanecer num determinado processo sem expectativas de sucesso, é o santo gral da capacidade humana de gerir corpo, mente e emoções.

 

Texto da autoria do professor de Yoga

Pedro Mendes